sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Concordando com o autor Batista Bastos...


Penso que não poderia deixar de divulgar no meu Blog um texto escrito por Batista Santos, que retrata perfeitamente o sentimento de muita gente e as vidas faustosas de umas quantas...

Aqui vos deixo este texto que deveria ser lido e relido, vezes sem conta, até encher de coragem os portugueses que vão vagueando por esta crise ao sabor de uns quantos que se governam a seu bel prazer.



A pátria não é de todos por Baptista Bastos [*]


Uns murmuraram a sua atroz ignorância, outros a sua melancólica indiferença. Até que uma mulher de idade avançada, com a desconfiança pregada nos olhos e a sabedoria procedente de todas as agruras, respondeu: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher".
É o sentimento geral. A impotência associada à resignação; seja: o pior que pode acontecer a uma sociedade, abjurante das virtudes do civismo. Não é só o rotativismo de poder, disputado entre, apenas, dois partidos, que causa esta indolência moral. É a péssima qualidade intelectual dos políticos. É a clara evidência de que dividem o "bolo" entre eles, substituindo-se nas administrações, nos bancos, nas grandes empresas, aumentando os vencimentos a seu bel-prazer, auferindo-se bónus e mordomias escandalosos. Vem nos jornais. Nada do que digo ou escrevo é resultado de qualquer rancor: factos são factos.
Pedro Passos Coelho ouviu, daqueles santos sábios, o que queria ouvir. E eles também não queriam ou não sabiam dizer outra coisa. Isto anda tudo ligado, e as relações políticas, entre aparentes adversários, são grandes rábulas, alimentadas pelo embuste e pela mentira. Penso, no entanto, que o presidente do PSD devia escutar vozes dissonantes, opiniões divergentes que permitissem uma análise mais clara e acertada. Claro que não é só Passos Coelho que ouve o que deseja ouvir. Todos os outros dirigentes, Sócrates incluído, e na primeira linha, seguem a música de idêntica mazurca.
Os sábios que se reuniram com Sócrates são muitos daqueles que pertenceram a governos execráveis, culpados de tudo o que de pior nos tem acontecido. Quase todos eles detêm reformas de luxo, duas e três, e atrevem-se a debitar, para as televisões, patrióticas lições salvíficas. Uma vergonha! Um deles, com deficiências de fala e escuma aos cantos da boca, trabalhou seis meses no banco do Estado e recebe uma reforma vitalícia de três mil e seiscentos contos (moeda antiga) pelo denodado esforço desenvolvido. Cito-o com frequência por entender que o cavalheiro é o retrato típico de uma situação abominável.
Quem pode acreditar em gente deste jaez e estilo? Em gente desavergonhada que tem, escancaradas, as televisões, para dizer sempre o mesmo, ou seja: coisa alguma de importante.
Afinal, de que falaram os quase vinte sábios? Com a soberba que os caracteriza, indicaram os mesmos remédios para a superação da crise: cortes nas despesas da saúde, da educação, e da previdência; rebaixamento de salários na função pública; acaso a supressão do décimo terceiro mês; redução nas pensões, aumentos nos medicamentos. É o pacote consuetudinário sugerido por quem, de facto, não dispõe de outras ideias e soluções que não sejam as do breviário neoliberal. A OCDE, considerava "muito credível", veio rezar semelhante litania. E ai de quem a desmonte! É logo considerado comunista ou afim. Um pouco de decência não faria mal.
Observe-se os rostos desta gente. Atente-se no que dizem, prometem, formula. Não conseguem mobilizar ninguém, nem concentrar emoções ou sentimentos, exactamente porque os não possuem. No começo da revolução de Abril, o Governo lançou um alerta e um apelo: Um Dia de Trabalho para a Nação. O País aceitou o pedido e a invocação. E foi um belo momento de unidade nacional, uma acção colectiva de patriotismo e de esperança absolutamente inesquecível. E só a má-fé ou a má consciência podem distorcer o que foi um extraordinário acontecimento político e social.
As frases daquela mulher, na televisão, ressoam como uma tragédia: "Não acredito em nada nem em ninguém. Eles estão lá para se encher." E a verdade é que o enriquecimento surpreendentemente rápido de muitos deles; a pesporrência arrogante da esmagadora maioria desses senhoritos é mais do que desacreditante: é sórdido.
Os jornais e as revistas, de vez em quando, publicam os nomes, os rendimentos, as casas luxuosas, os iates, os carros topo de gama dos que nos exigem sacrifícios, suor, renúncia, abnegação. Exigem mas não praticam. E, se o fazem, as beliscaduras nas suas fortunas são tão delicadas, tão suaves que eles nem dão por isso. Quando se tira a um reformado o mais escasso dos cêntimos as dificuldades que daí advêm são de tal monta, e as consequências imediatas são terríveis.
Os sábios que foram dizer a Passos Coelho o que este, comovidamente, queria ouvir, não estão ao lado de quem sofre e está na mó de baixo. A indiferença nunca ocultada, a ganância jamais dissimulada, o luxo em tempo algum encoberto (bem pelo contrário) constituem eloquentes testemunhos da casta a que pertencem. Portugal continua a ser, como escreveu João de Barros, "país padrasto e pátria madrasta" - para muitos, bem entendido, e "ridente torrão de malandros" [Filinto Elísio, "Sátiras"] para os que se ajustam.


[*] Escritor, b.bastos@netcabo.pt


segunda-feira, 4 de outubro de 2010

U2 em coimbra,mais que uma banda...eu estive lá!

COIMBRA 2 e 3/2010


Tive a felicidade imensa de assistir pela primeira vez a um concerto da minha banda favorita,. na minha cidade, e constatar que continuam frescos, melodiosos,mais maduros e com uma capacidade de empatia com o público de quem sabe estar em palco e traz a lição estudada de casa.

Mais que uma banda os U2 para mim significam transmissão de liberdade, de paz, de amor, de amizade, de ecologia,...Realmente é por isso mesmo que para mim me preenchem como banda.Não se canta só por cantar, durante 34 anos ao som de sunday bloody sunday, with or without you, one , vertigo, magnificient,... com a projecção mediática que têm.Na realidade essa projecção tem sido aproveitada pelo grupo na defesa de causas maiores como o combate ao HIV,defesa dos direitos humanos(brutal a componente artística no momento de apelo à liberdade da birmanesa nobel da paz), a fome em Africa,...

Por isto e muito mais(o espetáculo audiovisual foi brilhante-do ponto onde assisti tive a noção de todos os pormenores e não foi preciso ir para a red zone ;) ), esta banda para mim será sempre a melhor do mundo.U2 FOREVER!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Em que sociedade vivemos?...


Hoje de manhã, tive o prazer de ouvir na Antena 1, João Gobern.Nem sempre estou de acordo com o que diz ou sobre as suas opiniões, mas não poderia deixar de referir no meu blog, a notícia dada por ele que me fez pensar que afinal a minha impressão sobre a descaracterização que vai cada vez sendo mais marcada da nossa sociedade, é infelizmente um facto bem real e para o qual caminhamos de uma forma rápida sem termos em conta as pessoas enquanto pessoas que são e tratando-as somente como números,objectos que conforme existem,poderão deixar de existir sem que os outros se apercebam.

Fazendo um breve resumo da notícia, ao que parece num lar de Madrid em Espanha, dois idosos, utentes desse mesmo lar, terão ficado cerca de 12h esquecidos numa carrinha de transporte, tendo sucumbido ao calor que se fazia sentir.Sentados em cadeiras de rodas, numa carrinha com vidros fumados, sem possibilidade de se manifestarem(talvez por motivos de saúde), acabaram por não resistir a tantas horas de desprezo,esquecimento,negligência de quem os lá deixou.

Numa sociedade que se quer rentável em que só se pensa nos números, o valor humano tem-se perdido para alguns na forma de esquecimento, para muitos outros na pior forma, a do desprezo propositado pelo outro.

Como disse João Gobern, o responsável por este esquecimento fatal, irá viver com este remorso para o resto da vida, mas será que os que desprezam o ser humano propositadamente e com requintes de malvadez sentirão remorsos alguma vez?...

sábado, 19 de junho de 2010

Portugal e o Mundo ficaram mais pobres...


Não poderia deixar passar a oportunidade de prestar uma singela homenagem ao grande Homem que perto dos sessenta resolveu começar a escrever livros e que depressa se tornou num "monstro" literário, sempre crítico, propenso à crítica, irreverente, mas verdadeiro, sincero principalmente para consigo próprio.O meu muito obrigado a Saramago por tudo o que deixou em forma de escrita.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

A classe está REVOLTADA!

Revoltados com o governo, com os sindicatos que se julgam sempre senhores da verdade, mas no fundo só lutam pelos interesses de alguns.Greves adiadas, desconvocadas, manif. de um dia, para quê?É PRECISO LUTAR A SÉRIO, PARALISAÇÕES GERAIS, DEMISSÕES GERAIS.ESTOU CANSADO QUE SINDICALISTAS ME DIGAM QUE NÃO É POSSÍVEL , QUE É MUITO DIFICIL DE O CONSEGUIR.YES WE CAN!SÓ PRECISAMOS DE NOS UNIRMOS E PARTIRMOS PARA A LUTA.SEJAM PROACTIVOS.SOMOS ÚNICOS, LICENCIADOS E A GANHAR A MISÉRIA QUE NOS DÃO?CHEGA!, BASTA!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Responsabilidade e responsabilização...


Medidas de austeridade atrás de medidas de austeridade,têm sido tomadas pelos nossos governantes em conluío com parte da oposição para controlar o défice, as contas públicas e supostamente pôr em ordem várias áreas como seja a administração interna, a defesa, a saúde,...
Sem qualquer sentido de responsabilidade na minha opinião, resolveram cortar em tudo de uma forma cega e pouco sustentada, sem ter em conta que a responsabilidade pelo "caos" financeiro do nosso país é deles e que, embora possa ter sido mais acentuado pela crise financeira europeia (provocada pelos especuladores financeiros e interesses americanos e chineses em enfraquecer a economia europeia para poderem reinar a seu bel prazer), deveu-se a bom dizer na verdade a eles, políticos que se têm governado bem para o seu bolso e verdadeiramente não governaram e desgovernaram o nosso país. Terão sido eles verdadeiramente pessoas responsáveis,sérias, honestas e justas nas medidas tomadas ao longo destes anos de democracia cheio de desigualdades sociais?NÃO!E é aqui que o nosso estado continua a falhar.Em todos nós sente-se um sentimento de impunidade, de falta de RESPONSABILIZAÇÃO dos nossos políticos sobre as medidas mal tomadas, as decisões mal avaliadas, o enriquecimento ilícito de muitos, a progressão num país minado pelas cunhas e pelos empregos dados pelos papás(políticos profissionais) aos meninos ricos e influentes da nossa sociedade, sem qualquer mérito e com isto temos vindo a construir uma sociedade de vícios,sem valores que se mantém cheia de parasitas que vão sugando o que podem e "carregando" mais na classe média sempre que algum problema financeiro surge, aumentando impostos e não poupando nas suas decorações nos gabinetes de luxo, nas suas viagens, nos seus carros topo de gama,...

À sempre excepções, mas cada vez são menos e questiono-me, quando a classe média desaparecer, o que será feito deste país?
É preciso, JUSTIÇA E RESPONSABILIZAÇÃO DOS NOSSOS POLÍTICOS!.E isso é que faz com que não haja competência política.Se começassem a ir para a prisão por medidas tomadas que resultaram em prejuízo para o país, com certeza seriam menos levianos e mais assertivos na hora da tomada de decisões!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Momentos de prazer...




Foi o que pude desfrutar ontem durante um par de horas de conversa de "café",numa tertúlia morna o suficiente para nos pôr a pensar a reflectir sobre uma temática que muito influêncía a nossa profissão e o nosso desempenho.
A temática abordada após a visualização de excertos do filme "O véu pintado" de 2007, incidia sobre a importância de cuidar do cuidador(enquanto profissional de saúde) e toda a sua envolvência na nossa sociedade actual.
Não posso deixar aqui de referir e comprimentar o Padre José António pela sua dedicação na realização de eventos como este que pouco existem (pelo cariz de tertúlia) e tanto contribuem para nos conhecermos um pouco melhor, conhecermos melhor os outros e com isso ganharmos mais experiência para a aplicarmos no nosso quotidiano seja na vida pessoal, como na vida profissional enquanto profissionais de saúde e ligados à pressão constante de lidar com a dor, a doença e por vezes com a morte.

Na minha opinião, os cuidados ao cuidador devem ser:

  1. Ser prestados por nós próprios, pois só assim poderemos cuidar verdadeiramente do outro;
  2. Prestados pela família, que nos apoia nos momentos menos positivos da nossa vida profissional;
  3. Pelos colegas, numa atitude de entreajuda;
  4. Pelo doente, que nos reconhece um trabalho valoroso e útil;
  5. Pela instituição, que deverá dar-nos as melhores condições para trabalhar harmoniosamente e valorizar o nosso trabalho(por vezes uma simples palavra dos nossos superiores será o suficiente para nos dar ânimo,força de vontade);
  6. Pelo estado, que deve ter em conta que o apreço e valorização do cuidador, levará a prestação de cuidados com melhor qualidade e por conseguinte a uma melhor saúde da população.

O tema não se esgotou como é óbvio mas deixou sim algumas questões no ar que penso ser importante reflectirmos para que cada um de nós no seu nicho consiga ser diferente para melhor.Ao cuidar dos cuidadores, estaremos a contribuir para que a humanização que existia e se tem vindo a perder com medidas economicistas e pressões continuas para apresentação de resultados e números, não se perca, mas sim saia reforçada.

Compreendam que para humanizar os cuidados, os cuidadores devem ser humanizados.O Mundo é da côr com que nós o pintamos...façamos uma tela feliz.

terça-feira, 11 de maio de 2010

Desabafos...

Controlo das despesas públicas,reuniões entre P.S. e P.S.D., e decisões a caminho dos mesmos desgraçados que somos nós classe média.
Realmente é caricato ouvirmos estes politicos iluminados, que ao longo dos anos esbanjaram rios de dinheiro em obras que não se vêem, em bens pessoais, em instituições falidas, em prémios de desempenho exurbitantes,... dizerem a um povo que tem de pagar mais impostos diretos e indiretos, cortar nos subsídios de férias e natal para controlar um défice elevado para o qual muitos deles contribuiram.
As soluções mais fáceis para eles são essas, mas será que não existem outras mais justas e adequadas.Porque não podem pura e simplesmente acabar com os prémios dos gestores?porque não cortam com as reformas em duplicado,triplicado,...que muitos portugueses têm neste país(quase todos políticos...e esta hein?), porque não reduzem as despesas com viagens,ajudas de custo, dos deputados, porque concedem tolerância de ponto a todos os portugueses da função pública para ver o Papa esquecendo que é preciso trabalhar,para pôr o país a crescer, porque não cortam despesas de operações militares exteriores em nome de uma nação depauperada, porque não pedem aos grandes empresários deste país uma contribuição generosa para melhorar os cofres do estado, porque não aproveitam a mau de obra qualificada existente neste país no desemprego para encontrarem caminhos para a melhoria do país nas suas diferentes áreas,desde a saúde,à ciência, à cultura, à industria,à economia,...
Tudo isto e muito mais, são somente as minhas ideias, os meus desabafos...